A natação é frequentemente considerada "o esporte que não agride as articulações".
Para os nadadores masters (acima de 35 a 40 anos), no entanto, a realidade é um pouco mais complexa: a natação continua sendo um esporte saudável, mas o corpo não é mais o mesmo de vinte anos atrás e o perfil de risco muda.
Pesquisa sobre lesões em nadadores masters mostram que o risco de problemas musculoesqueléticos aumenta moderadamente com a idade, mas não está relacionado apenas ao volume de treinamento na água.
O que realmente importa são o histórico de lesões, a estabilidade articular, a qualidade da técnica e a presença (ou ausência) de um trabalho bem estruturado em terra firme.
O corpo do mestre é diferente.
Com o passar dos anos, tendões, músculos e articulações sofrem alterações:
- Os tendões (como o supraespinhal no ombro) tendem a ficar mais rígidos e menos elásticos.
- A amplitude de movimento articular pode estar reduzida, especialmente no nível do ombro.
- A capacidade de recuperação após esforços intensos é menor do que em nadadores mais jovens.
- A eficiência biomecânica diminui gradualmente, principalmente em longas distâncias e, segundo alguns estudos, de forma mais acentuada em amazonas.
Isso não significa ter que desistir de nadar, mas sim aceitar que o corpo precisa de mais cuidado, mais planejamento e mais atenção.
Os distritos mais frequentemente envolvidos são:
- Ombro: continua sendo o principal local de dor e limitação, frequentemente associado à degeneração do supraespinhal, de outros tendões do manguito rotador e a alterações na dinâmica do ombro.
- Joelho: especialmente em atletas masters que usam muito o nado peito ou combinam natação com corrida/ciclismo.
- Coluna lombarSobrecarga resultante de hiperextensão, rigidez do tronco, técnica inadequada ou compensações posturais.
Em pacientes com mestrado, esses problemas costumam se manifestar como dor persistente associada à redução da mobilidade, fraqueza ou sensação de instabilidade, em vez de "traumas súbitos".
Carga, técnica e treinamento cruzado: três fatores decisivos
Estudos com nadadores masters indicam três fatores principais:
- Gerenciamento de carga
Aumentos abruptos no volume ou na intensidade, mudanças repentinas no programa de treino ou períodos de "repouso total" seguidos por um retorno excessivamente agressivo estão entre os principais erros. Não é tanto o volume absoluto que faz a diferença, mas sim a progressão que você segue.
- Técnica sob estresse
Com a fadiga ou anos de má adaptação, a técnica pode deteriorar-se: movimentos menos precisos, rotação inadequada do tronco e respiração rígida. Isso aumenta o estresse nos ombros, joelhos e coluna vertebral.
- Ausência de treinamento cruzado
Atletas masters que nadam muito, mas não fazem exercícios fora da água (força, core, mobilidade) têm maior probabilidade de sentir dor e incapacidade, especialmente no ombro. Por outro lado, aqueles que incorporam uma quantidade mínima de treinamento complementar apresentam menor risco de lesão e menor impacto nos custos de saúde.
Sinais que não devem ser ignorados nos Masters
Alguns sinais merecem reflexão (e, frequentemente, uma avaliação médica especializada):
- Dor no ombro ou no joelho que dura mais de 10 dias
- Perda de força (já não consigo levantar o braço como antes, nem empurrar a perna como antes)
- sensação de fraqueza ou instabilidade ao puxar ou chutar
- Dor nas costas que reaparece pontualmente após certos tipos de treinamento.
- Dor que surge primeiro durante o treino e depois também nas atividades diárias.
Nesses casos, continuar a "puxar" não é sinal de determinação, mas sim uma forma de prolongar o tempo de recuperação.
Como treinar como um mestre de forma "inteligente"“
Com base na literatura científica atual sobre nadadores masters, algumas estratégias são particularmente úteis:
- Programe a carga
Evite aumentos repentinos de volume ou intensidade de uma semana para a outra; utilize uma progressão gradual (aumento máximo de carga de uma semana para a seguinte); planeje ciclos de descanso.
- Integrar o trabalho a seco
Inclua exercícios de fortalecimento para o manguito rotador, escápulas, abdômen e quadris, e não apenas alongamentos gerais. Mesmo duas sessões curtas por semana podem fazer diferença a longo prazo.
- Cuidando da mobilidade
Manter uma boa mobilidade nos ombros, na coluna torácica e nos quadris ajuda a distribuir melhor as cargas na água e a reduzir as compensações.
- Fazer treinamento cruzado com discrição
Correr, andar de bicicleta ou fazer treinamento de resistência em ritmo adequado melhora a saúde geral e a capacidade de suportar peso, desde que não seja combinado com natação de forma desordenada.
- Agende consultas clínicas periódicas.
Uma avaliação regular com um médico especializado em traumatologia esportiva permite a identificação precoce de restrições de movimento, fraquezas ou instabilidades que, ao longo dos anos, podem se tornar problemas reais.
Mensagem principal para nadadores masters
A natação continua sendo um excelente esporte em qualquer idade, mas depois dos 40 anos o corpo já não responde da mesma forma que aos 20.
Ignorar essas alterações aumenta o risco de lesões nos ombros, joelhos e costas; reconhecê-las e ajustar seu treinamento permite que você continue nadando por muito tempo, com prazer e segurança.
Não se trata de fazer menos, mas de fazer melhor: cargas mais inteligentes, técnica mais precisa, um pouco mais de trabalho a seco e atenção redobrada aos sinais do seu corpo.
Dr. Marco Gastaldo


